Novo olhar para as relações de poder e a promoção de maior integração com a prática do Action Learning

“Ampliamos muito o nível de confiança,

ficamos felizes com o envolvimento e

 abertura das pessoas na troca durante a reunião.”

 

 

 

Sobre o Wial Brasil

O WIAL (World Institute for Action Learning) é uma organização internacional dedicada a promover em todos os setores o Action Learning, uma metodologia de resolução de problemas e desenvolvimento de habilidades de liderança e comunicação.

 

Em 2015 criou-se internacionalmente a Better World que visa oferecer serviços para as comunidades ao redor do mundo aplicando Action Learning. O WIAL cria parcerias com as instituições, envolvendo-os de forma a ajudar estas organizações a identificarem soluções diferenciadas e criativas para os desafios reais vividos. 

 

No Brasil atua com o mesmo objetivo junto às instituições, tendo a contribuição do trabalho voluntário dos Action Learning coaches certificados e capacitados para aplicação da metodologia, essa parceria ajuda o WIAL no Brasil a exercer sua missão de compartilhar pesquisas, estudos de casos com a prática de Action Learning e a promover maior sinergia entre os coaches envolvidos, promovendo um maior senso de comunidade e promoção de organizações sem fins lucrativos mais fortes, impactando na vida de inúmeras pessoas.  

 

O Lar da Bênção Divina

O LAR é uma instituição filantrópica que desde 1956 presta serviços de apoio às comunidades carentes do entorno do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, entre elas a Vila Coreia, Vila Inglesa, Buraco Quente e Vila Santa Catarina.

 

No início, a instituição oferecia apenas alimentação, um sopão feito por voluntários. Em 1980, firmou um convênio com a Prefeitura de São Paulo tornando-se creche, recebendo uma verba “per capita” (valor por criança), para a manutenção de suas atividades.

 

De lá para cá, o LAR, com a ajuda de seus colaboradores e patrocinadores, vem crescendo de forma expressiva, expandindo sua atuação a um programa de apoio pedagógico – Projeto Excelência Pedagógica - e musicalização de crianças e jovens através do Projeto Cultural Orquestra Experimental.

 

Sobre o projeto 

A coach Simone Donadel, é apoiadora do LAR há anos e conhecedora do trabalho sério e relevante desenvolvido na comunidade local, foi apresentada a oportunidade de realizar Action Learning visado contribuir para a gestão da instituição, iniciativa que foi imediatamente aceita pela diretoria da Instituição.  

Foi realizada uma reunião com o objetivo de apresentação da metodologia Action Learning e onde nasceu o programa de Action Learning para os gestores, com o objetivo de empoderar todos os participantes a pensarem em soluções em conjunto com os demais colaboradores da casa, sobre os problemas/desafios do dia a dia da instituição, diluir as relações de poder e integrando a equipe.

 

A presidente do LAR lançou o desejo de atuar nos problemas, desde os mais simples aos mais complexos, acreditando que com o trabalho do Action Learning o grupo poderia resolver problemas em equipe, de forma “natural e orgânica”.

 

 

 

Participaram do programa os seis gestores do LAR e convidados/apoiadores. Foram seis sessões de Action Learning no formato Single Problem realizadas com a carga horária de 2 horas, a cada 2 ou 3 semanas, no período de 05 de julho até 18 de setembro de 2018. As reuniões foram conduzidas pela coordenadora do projeto e por uma coach convidada que já havia demonstrado interesse por projetos sociais dessa natureza. 

 

Para a integração e envolvimento do grupo com a metodologia e também devido a rotatividade de convidados entre uma reunião e outra, tomou-se o cuidado de explicar do que se tratava a metodologia no início das reuniões e alguns exercícios sobre perguntas foram aplicados para promover que o grupo pudesse estar “aquecido” para a sessão de Action Learning que viria na sequência.  

 

Antes do início das sessões previstas no Projeto foi feita uma reunião com a diretoria do LAR e coordenadora do projeto pelo WIAL onde o cronograma foi definido e os compromissos de frequência, reabertura, pontualidade, avaliações entre os envolvidos foram esclarecidos.

 

 

 Coaches participantes do projeto:

  • Magali Lopes –  DIRETORA DE RELACIONAMENTO DO WIAL BRAZIL: Psicóloga e Especialista em dinâmicas grupais com mais de 15 anos de experiência corporativa em RH em empresas multinacionais onde implementou processos de desenvolvimento e gestão em vários países como Índia, China, Espanha e EUA além do Brasil. É coach Membro da ICF (International Coach Federation), facilitadora em programas de desenvolvimento com foco em transformação do diálogo e resolução de problemas,  cofundadora da Eight∞ Coaching e diretora de stakeholders do WIAL Brasil.
     

  • Simone Donadel – COORDENADORA DO PROJETO: facilitadora para o desenvolvimento de pessoas e organizações, vivência de mais de 20 anos na área de Recursos Humanos, em empresas multinacionais e nacionais. Formada em Administração de Empresas pela PUC/RS, pós-graduada em Gestão Estratégica pela FGV/RJ e MBA em Recursos Humanos pela FIA-USP. Certificada como Coach pelo Integrated Coaching Institute – ICI, qualificada em MBTI – Myers-Briggs Type Indicator certificada em Hogan Assessment System e DISC/Motivadores pela TTI Insight.
     

  • Debora Gaudêncio – COACH CONVIDADA: Facilitadora e pesquisadora em CNV - Comunicação Não Violenta. É Certification Trainer Candidate pelo Center for Non Violent Communication – CNVC. Como parte de suas pesquisas em Comunicação Não Violenta, fez aprofundamentos na França, Chile e Canadá.  Pedagoga Social, formada com base nos princípios antroposóficos de Ecologia Social, Mediadora Organizacional, É executive coach formada pelo Instituto Eco social, membro da ICF (International Coaching Federation) e facilitadora em programas de desenvolvimento com foco em transformação do diálogo e resolução de conflitos e cofundadora da Eight∞ Coaching

 

Principais resultados 

Os seis (06) gestores do LAR, a presidente e convidados especiais participaram das seis reuniões, distribuídos em grupos de até oito (08) participantes.

 

Um dos objetivos do projeto era que o grupo pudesse ter mais interação e maior desenvoltura para resolver problemas juntos independente dos cargos estabelecidos, ao realizar as atividades iniciais  de aquecimento e sobre perguntas, o grupo já foi se movimentando para uma maior integração e maior reconhecimento uns dos outros naquele contexto permitido que o trabalho se desenvolvesse a fim de promover a realização de discussões sobre os problemas enfrentados que tiveram nuances diferentes em cada reunião realizada.

 

 

 

“Com Action Learning tivemos resultados muito práticos para a integração da equipe, agora somos um grupo homogêneo, as ideias fluem, dissipamos as relações do poder, sabemos que não estamos sozinhos e podemos pedir ajuda, conquistamos mais proximidade das pessoas e ainda, muitas ações geradas nas reuniões foram implementadas”.  (Fernanda – Presidente do LAR)

 

 

"Eu aprendi hoje, que quanto mais a gente conhece a causa mais força a gente tem para ter ideias e trazer soluções. Então ir fundo na raiz do problema é a grande sacada! ” (funcionária do LAR)

 

 

 

Embora os problemas que foram trabalhados ao longo das sessões não tinham relação de poder propriamente ditas em seus enunciados, a prática da discussão em colaboração refletiu essa conexão gerando maior abertura do grupo. Os problemas trabalhados durante as reuniões foram assim definidos pelos participantes:

 

 

  • Falta de compromisso dos profissionais em suas funções.

  • Entrega atrasada dos relatórios mensais e falta de prioridade processos administrativos e financeiros. 

  • Falta de organização nos espaços e ausência de responsável para organizar os materiais e destinos de doações.

  • Falta de vaga para transportadores/condutores e a segurança das crianças no fluxo de saída. 

  • Qualidade da escrita, estrutura e redação dos relatórios dos professores sobre o desenvolvimento das crianças para os pais. 

  • Insucesso de eventos feitos aos finais de semana. 

 

 

 

Muitas ações foram definidas pelos participantes ao longo das reuniões e ficou evidenciado quando em cada nova reunião havia a devolutiva ao grupo sobre a realização das ações discutidas anteriormente pelos apresentadores dos problemas. A natureza de algumas das ações promovidas, trataram intimamente em relação a maior abertura para comunicação e promoção de maior relacionamento como por exemplo:

 

  • Fazer reunião individual com professores, para explorar análise SWOT, esclarecer descrição das responsabilidades e ouvir as pessoas sobre a clareza do que se espera deles. 

  • Falar com pessoa que preparava os dados da planilha e pedir ajuda.

    • Reunião coletiva com objetivo de orientar as pessoas sobre responsabilidades e expectativas de resultados do LAR.

 

 

Ficou evidente também que houve uma ampliação do olhar para a importância do desenvolvimento das pessoas, e algumas ações como, gerar conversa para estimular a autoavaliação e avaliação para que a pessoa perceba sobre suas entregas e o que precisa de maior compromisso, construir um plano de desenvolvimento dos condutores ou elaborar cronograma para ações de desenvolvimento – Hackathon, ações para mutirão de correção e aprendizagem comprovam isso.

 

Várias outras iniciativas como fluxo e organização das doações, listar pendências e controlar realizações – semanalmente, construção de um plano que contempla ações do LAR com ações de campanha institucional, encontros de condutores, sinalização de segurança e envolvimento dos vizinhos para promoção de segurança, elaborar um guia de perguntas para os professores, com aproveitamento e desenvolvimento escolar das crianças entre outros foram elencadas como resultados das reuniões.   

 

 

 

“Chegamos na raiz do problema e

 conseguimos dar profundidade para ações.”

 

 

 

Durante as reuniões as habilidades trabalhadas foram: fazer perguntas poderosas, ouvir profundo, manter o foco, piramidar - construir sobre questões dos demais, respeitar a percepção dos outros, dar respostas curtas, fazer perguntas objetivas, incluir os outros na conversa, controlar ansiedade e ter paciência.  

 

Vários foram os aprendizados relatados pelos participantes, aqui elencamos alguns:

 

  • “Fomos suporte e geramos apoio/tranquilidade para o apresentador do problema”

  • “Hoje geramos sentimento de equipe”

  • “Abrir a cabeça e o coração se despir de preconceito olhado um ao outro de maneira mais igualitária”

  • “Exercitar o ouvir”

  • “Exercitar o trabalho em equipe, a importância do trabalho coletivo para que as coisas aconteçam”

  • “A construção do coletivo, com a confiança fez o grupo crescer e uma ideia foi puxando a outra.

  • “Juntos fomos direcionando as ações, para um problema que parecia sem solução, exploramos ideias e várias soluções surgiram”

  • “O grupo todo foi ajudado, muitas ideias, ações e boa energia! ”

  • “Quanto mais conhecermos a causa do problema melhor buscaremos ações”

  • “Ficamos muito felizes com evolução do assunto e ações que foram encontradas. ”

 

Considerações finais 

Os resultados nos mostram que os objetivos iniciais do projeto foram alcançados com muito sucesso.

Alguns depoimentos de aprendizados como: “ampliamos muito o nível de confiança, ficamos felizes com o envolvimento e abertura das pessoas na troca durante a reunião”, “exercitar o trabalho em equipe, a importância do trabalho coletivo para que as coisas aconteçam e “saber ouvir” evidenciam uma ampliação de consciência sobre o valor da prática do trabalho em equipe, da comunicação aberta e assertiva e do empoderamento das pessoas e do grupo.

 

 

 

Com relação ao objetivo inicial sobre a forma de atuar da equipe para a solução de problemas de forma natural e orgânica, ou seja, sem barreiras de hierarquias, os participantes puderam experimentar uma forma de solucionar problemas na qual todos tivessem o mesmo peso para a tomada da decisão. Como no Action Learning não existe hierarquia, os participantes perceberam o valor de se trabalhar assim, o que ficou evidenciado no depoimento: “abrir a cabeça e o coração se despir de preconceito olhado um ao outro de maneira mais igualitária”.

 

 

“O Action Learning tem tantos resultados que queria aplicar mais e envolver mais pessoas e toda equipe do Lar”. (Participante do LAR)

 

“O Action Learning foi uma super experiência para o Lar, vimos as mudanças na equipe e a eficácia da metodologia durante as reuniões e depois das reuniões, e que foi o mais marcante, a gente trouxe muito de todos os recursos usados, das perguntas, da paciência para o ouvir, do olhar se o problema é urgente, profundo e importante e dar atenção a eles no nosso dia a dia”. (Manoela - Gestora de projetos e relacionamento do LAR).

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